Aprendendo com o pão-duro

Fominha, fuinha, mão-de-vaca, migalheiro, munheca-de-samambaia, muquirana… Esses são alguns dos adjetivos que damos para aqueles sujeitos que economizam em tudo. Alguns se orgulham do rótulo, pois consideram que sabem lidar bem com o dinheiro. Porém, sofrer ao gastar e se sentir culpado ao consumir não é saudável. Ninguém ficará rico ao deixar de tomar um cafezinho na padaria ou de comprar uma revista. Os profissionais de educação financeira já não defendem faz tempo a ideia de economizar a todo custo.

Mas será que podemos aprender algo com o “pão duro”?

Recentemente li um livro (The Complete Cheapskate – Mary Hunt) que se propõe a ser um guia de como usar melhor o dinheiro para o consumo. A primeira edição é da década de 70! Confesso que dei muitas risadas com algumas das orientações. Foi divertido ver ideias como: usar a água da dentadura para limpar a privada e colocar uma colher de sal na garrafa de leite para ele durar além da data de validade. Confesso que eu nunca colocaria algumas delas em prática. Porém, entre uma ideia estapafúrdia e outra, encontrei algumas dicas bem interessantes.

Como exemplo, separei duas delas:

1. Coloque o óleo de cozinha em uma garrafinha com o bocal em formato de spray. Você gasta menos óleo (bom para o bolso) e ingere menos gordura (bom para a saúde).

2. Ao invés de jogar fora seu cinto velho, corte a parte desgastada e faça um colar para seu cachorrinho. Seu animal lançará moda em seu bairro.

Eu, por exemplo, adoro comprar livros em sebos pela internet. Há vezes que economizo mais de 80% do valor do exemplar na livraria, ao adquirir um produto praticamente novo.

Se você adotar técnicas para gastar melhor o seu dinheiro, sem que isso lhe traga sofrimento, pode conseguir uma folga em seu orçamento e evitar as dívidas. Gosto muito das que são simples de implementar e que tragam mais do que uns centavinhos para o bolso. Nesses casos, vale a pena ser tachado de mão-fechada. Você pode se orgulhar disso e compartilhar suas ideias.

Fabio Araujo

Autor do livro “A Sociedade da Fortuna”, servidor do Banco Central do Brasil, membro da International Network on Financial Education (OCDE).

Aviso legal Este artigo não deve ser citado como representando as opiniões do Banco Central do Brasil ou da Mais Ativos Educação Financeira. As opiniões expressas neste artigo são exclusivamente do autor e não refletem, necessariamente, a visão das instituições citadas.

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7 Responses

  1. Ótima a estreia do Fábio Araújo como colunista da Mais Ativos. Seja bem-vindo. Suas dicas e experiência serão muito úteis à sociedade.

    • Marcelo de Oliveira Garcia disse:

      Muito interessante o artigo!!! Li a “A Sociedade da Fortuna” e considero o autor ,Fabio Araujo, um grande mestre na arte de ensinar educação financeira, sempre de forma simples e objetiva. Parabéns e continue a escrever estes belos textos!!!!

  2. Anderson Pereira disse:

    Gostei das dicas!!! Eu não sou pão-duro sou econômico. kkkkk. Valeu

  3. Luciana Millani disse:

    Muito interessante o artigo e dicas úteis para o nosso dia a dia. Realmente nos faz refletir como utilizar melhor o nosso dinheiro buscando formas mais eficientes de consumo.

  4. Juliana Antoniazzi disse:

    Excelente artigo e boas dicas.

  5. João Teodoro disse:

    Fabio, ótimo comentário. Sucesso como colunista, porque como escritor você já é sucesso.

  6. Carmen Sigrist disse:

    Parabéns, Fábio gostei!!!!

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